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O que a alma sente

"Liguei para saber como você está". Mentira. Ligou por uma vaidade ou por uma carência. Talvez ligou para saber se ainda faz falta, mesmo depois de tantos meses. E olha que ironia, nessa onda de mensagens instantâneas, você fez uma ligação. Porque sabe, que a pessoa que conheceu, acharia isso um máximo, ainda mais num sábado à noite. Mas se tem uma coisa que aprendi, e com você mesmo, é que não é nada bom alimentar expectativas. Afinal, elas morrem.  Você foi a pessoa que eu não tive, mesmo estando perto. A grande paixão que nunca vivi, mesmo já tendo ficado. Os olhos fechados sussurrando seu nome foram minha esperança e minha desgraça. Então, não tem porque insistir. Essa foi outra lição, não desistir de mim para insistir em alguém. Cansei do que é efêmero. Se eu quero algo que dure? Não. Só quero enquanto faz bem. Não preciso de muito para ser feliz, entretanto isso não signifique que eu me contente com pouco.  Minha alma está sim aberta, mas deixar você entrar é aceitar que…

Amores Imperfeitos

“Seu amor é uma mentira que a minha vaidade quer”. Cazuza compôs esse verso há vinte e oito anos atrás e, hoje, eu me pego pensando nele. A gente começa a conversar e o coração acelera, dá aquela agonia boa. Mas aos poucos, quando vamos avançando degraus, o outro se esquiva. Esperamos alguém que diga sim e saia correndo para nos encontrar, porém, cada vez mais, as pessoas ficam presas, escrevendo e reescrevendo respostas que nunca vão enviar.
         Alguns se aventuram em aplicativos de paqueras, para evitar o ritual do “onde você mora”, “qual o seu signo”, “o que você faz”, pois ali é para ir direto ao ponto. Que nada. São as mesmas pessoas que cruzamos no dia a dia, nas baladas ou esquinas, só não estamos olhando nos olhos. Olhos, que por sinal, a gente deseja tanto se encontrar. Precisamos escutar mais Cazuza e lembrar que “o amor a gente inventa, pra se distrair”. Portanto vamos conversar abertamente, facilitar a chegada e acreditar que, pode ser, sorte ter esbarrado com fu…

Depois Cura

Tenho visto as pessoas abominando a paixão, com certa frequência. “Deus me livre de me apaixonar”, elas dizem como se fosse um mantra. Eu sei que depois temos o coração machucado, é tão difícil querer se entregar de novo. Sempre bate o medo de ser mais uma história falsa. Existe o risco de se ver só novamente. Acho que todos nós já passamos por isso. Entretanto nunca rezei essa prece.
Temo, também, de me colocar na ponta do pé para fora da rota e perder o trilho. O medo de estragar tudo, de perder o que conquistei tipo no jogo de tabuleiro “volte duas casas...”. Porque a vida pode ser bem diferente do que um War jogado numa sexta-feira à noite. Ou não.Mas quero ainda me apaixonar, esse é o tipo de erro que sempre vou cometer. Eu sei disso. E com plena certeza de todos os riscos. Quero estar disponível a amar, até para amar as coisas e não somente as pessoas. Com o coração aberto, me apaixono pelas palavras, por conversas, por amigos, por beijos, abraços, toques e sorrisos, pelos meus l…

Eu existo, mesmo quando você não está afim

O celular apita. É uma mensagem. É sua. Dizendo que estou sumido. Mas não era isso que você queria? Não pediu para eu agir, como se você nunca tivesse existido? Fui obediente. Você pergunta o que vou fazer mais tarde. Eu sei o que você quer. E a culpa é minha. Por ceder as suas investidas. Preferia ter minutos de prazer, ter uns momentos bons, do que me valorizar. Esquecia quem eu era. Esquecia que me amar também é importante. E quando lembrei, você já tinha me deixado de lado. Era tarde para nós. Era cedo para mim.Outra mensagem. Agora só interrogações. Não vou responder. E sabe por quê? Porque cansa ser apenas uma válvula de escape. Cansa ser apenas um número na agenda. Você não vai segurar minha mão, quando eu assistir um filme de terror. Muito menos vai comprar um chocolate por ter lembrado que é o meu favorito. Nem quer saber, ao menos, como foi meu dia. Não sabe a música que mais escuto no momento. Não quer compartilhar, nem quer que eu compartilhe. Quero encontros com quem me o…

A vida é assim

Quando eu era adolescente me diziam que, quando as coisas não dão certo, doía muito, porque adolescente vê tudo com lente de aumento. A gente sempre acha que é o único amor, a maior dor, que será a única ex-amiga que teremos e por aí vai. Mas virei adulto e algumas coisas continuam doendo. Dói até quando é eu mesmo que decido ir embora, de uma relação furada. Sinto as lágrimas se formando mesmo eu colocando o ponto final.O ponto é que a gente nunca quer dizer adeus, mesmo sabendo que é o melhor a fazer no momento. Você é demitido e sente um baque, demora uns segundos para voltar a respirar normalmente, mesmo já não querendo o tal trabalho há muito tempo. O relacionamento está complicado, porém ninguém quer dizer – ou ouvir – que chega. Somos covardes. Sendo adolescente ou adulto. Tememos o fim. Ou melhor, tememos o depois. O que vem depois do fim. Acontece que algumas vezes na vida nós morremos e não viramos pó. Nos destruímos por completo quando nos despedimos de algo. Eu choro, pois…

Tudo passa

Nós somos a geração do “passa”. A garota está sofrendo porque brigou com o namorado e a mãe consola com a frase de sempre: vai passar. O menino não foi bem no vestibular e o melhor amigo diz: na próxima vez, você passa. Fomos educados assim. Claro que não está errado, pois tecnicamente a dor ou qualquer problema, um dia cessa. Porém algumas vezes, não. Tem coisas que não passam, apenas param de latejar. Entretanto a cicatriz, que nunca vai sarar, vai permanecer. E isso, ninguém nos falou. A dor de uma perda, de ter fracassado ou não ter correspondido uma expectativa, tem a dor de uma saudade. Ou a dor de nunca ter conhecido quem valesse a pena. A dor de está perdido ou não saber como agir. A dor da dúvida, do medo e do novo. Todas as dores parecem pequenas ou simples para quem está de fora, mas só você que a sente, percebe o quanto elas se aninham dentro de nós sem amenizar. Por mais que passe um dia. Ou seja, não significa que vamos nos atirar em frente ao carro mais próximo ou pular…

A última vez

Eu não me despedi de você, ou melhor, não te disse que não tenho mais forças para lutar. Hoje foi a última vez que tive esperança de te conquistar. Só hoje ainda desejei olhar seus olhos castanhos e suspirei ao lembrar do som da sua risada. Hoje eu queria te ouvir me pedindo uma bolacha e não um biscoito. Até queria te ouvir reclamar que está com sono e que odeia que bagunce seu cabelo. Não sei lidar bem com fins.  Não, não acabou nossa relação, que nem ao menos começou direito. O que acabou foram minhas chances e tentativas, acabou a vontade de lutar por você. Tenho a sensação de que o mundo não vai amanhecer amanhã, mas é pura quimera. Vou chorar mais umas três madrugadas, porém em quatro dias vai estar tudo bem. No pensamento, você ainda será uma lembrança. Ou melhor, parte do meu dia-a-dia. Aliás, te encarar será um constante exercício de auto-controle.  Você tinha que perde esse dom de fazer as pessoas se apaixonarem, sem nem ao menos, abrir a boca. E hoje, como sempre, desejo real…